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Romildo, Romualdo e os palavrões

(Os nomes foram, obviamente, trocados para evitar a identificação dos personagens.)

Romildo e Romualdo são dois meninos de 6 anos. Estão no primeiro ano do ensino fundamental. São amigos desde (ainda mais) crianças, vivem no mesmo prédio e estudam juntos. Suas mães tem uma parceria: uma leva para a escola, a outra traz de volta para casa. Funciona bem para elas, melhor ainda para os meninos.

Um dia, a mãe de Romildo chega para buscá-los e, ao invés de estarem brincando no parque da escola, Romildo e Romualdo estão sentados lado a lado, amuados. A professora explica: eles brigaram feio no parque. Sem agressões físicas, apenas uma discussão sem sentido. Estão sentados há quinze minutos, para pensar no que fizeram.

Quietos, Romildo e Romualdo entram no carro da mãe e ajustam os cintos de segurança. Antes de dar a partida, a mãe pergunta o motivo da briga. Eles respondem em uníssono: “Mas a gente não brigou, apenas estava brincando.” A mãe diz que vai conversar melhor em casa e segue dirigindo. No carro, os meninos continuam iguais: brincam, falam do desenho favorito e das figurinhas. O quê teria acontecido?

A mãe de Romualdo o espera na porta de casa, como sempre. A mãe de Romildo diz o que houve e pede que ela tente entender, diz que vai fazer o mesmo com Romildo. “Coisa de criança, vai saber o que aconteceu, já estão amigos de novo.”

Depois do banho, Romualdo e a mãe conversam:

- Romualdo, me diga o que aconteceu na escola.

- Nada, mãe. A gente “tava” brincando e a profe mandou a gente parar e ficar pensando.

- Brincando de que, Romualdo?

- Campeonato de palavrão.

(A mãe de Romualdo fica em silêncio por uns instantes. Campeonato de palavrão? Essa é nova!)

- Como funciona isso, filho?

- Ah, é fácil. Eu falo um palavrão, você fala outro. Eu falo outro. Você fala outro. Perde quem não souber mais nenhum.

- Ah, entendi…

A mãe de Romualdo então explica para o filho. Palavrões não são palavras que podem ser ditas em qualquer lugar. Algumas pessoas ficam sentidas ao ouvi-los. Não devem, de forma alguma, ser dirigidos a outra pessoa (ou ao brinquedo, ou ao cachorro). Não podem ser ditos na escola porque não sabemos como é a família de nossos coleguinhas e algumas famílias acham isso muito, muito ruim. E, depois de uma conversa com a mãe de Romildo, faz um combinado com as crianças: a partir do dia seguinte, quando fossem para a escola, poderiam falar os palavrões que quisessem no caminho. Chegando na porta da escola, devem parar imediatamente.

Os meninos aceitaram a condição e nunca mais falaram palavrão na escola. O caminho para a escola ganhou uma trilha sonora impagável. E a escola perdeu a chance de ouvir o que as crianças tem a dizer sobre o seu próprio comportamento.